Review: Inside

Abra seus olhos. Comece a correr. Continue correndo. Salte aquele tronco e não pare; Tem alguém vindo. Espere. Cuidado, te vira. Corra. Continue correndo. Tem cachorros vindo até você. Continue correndo. Os latidos e o rosnar continuam aumentando, é mais de um. Ele vai te pegar. Continue correndo, não vai dar. Tem um buraco alí na frente. Não vai dar. Saltei. Os cachorros ficaram para trás. Ufa. Uau. Deixa eu respirar aqui.

Em poucas linhas acho que pude resumir bem o que foram os primeiros 15 minutos das quase três horas e meia de Inside, jogo feito pelos mesmos produtores de Limbo e que segue a mesma pegada do jogo anterior, mas com uma temática diferente. Não vamos nos apegar a isso agora. O que importa aqui é entender que é possível contar uma história sem precisar de nenhum diálogo ou sequer uma troca de olhares.

Digo isso, pois mesmo com a estética minimalista do jogo, percebe-se que há algo alí para ser contado e somente você, movendo o personagem para a direita, saltando e resolvendo puzzles, pode contar esta história. Dito isso, preciso dizer que, apesar da longa experiência com jogos de plataforma e raciocínio lógico, foram poucos os quebra-cabeças de Inside que me fizeram parar e realmente pensar, pois sua maioria soava bem lógica para mim.

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Acredito que os desenvolvedores, mais uma vez, focaram na experiência sinestésica em que o jogador era envolvido. Se em algum momento do jogo está escuro demais, o silêncio toma conta do ambiente, a câmera fecha um pouco mais e a sensação claustrofóbica de ser esmagado pelo silêncio e a escuridão aumenta. Assim como é estar em um campo completamente aberto e a chuva começa a cair. Ouve-se somente os pingos fortes que atingem o chão, nos fazendo crer como nosso personagem, um garoto, deve estar sofrendo com o frio e a violência da queda d’água. Existem outros sons e experiências presentes no jogo onde nota-se que foram captados especialmente para determinados momentos.

Falando do personagem e no enredo, a impressão que fica é que Inside realmente é uma continuação espiritual de Limbo. Você não sabe as motivações do garoto. Porque ele está fugindo? Ele está realmente fugindo? Claro que estas são perguntas que o você vai se fazer após terminar o game, pois o jogo é mais um daqueles títulos que faz você pensar “que que foi isso o que eu acabei de jogar?”. Daí você vai atrás de fóruns, comentários, vídeos e todo tipo de teoria que somente a internet é capaz de proporcionar.

Minha opinião pessoal, e você não precisa concordar comigo, é que esta é a segunda parte do jogo. Um conteúdo adicional que você não paga e nem precisa de season pass para acessar. Ele continua alí, dentro da sua cabeça, na conversa que tem com outras pessoas, nas discussões sobre o que é verdadeiro e o que é questionável em toda aquela ambientação onde o personagem precisa enfrentar as mais diversas situações, inserido em uma realidade que pode ser sim parecida com a nossa, à depender do seu ponto de vista como ser humano, como participando da massa ou como individuo fora da curva. Você decide.

Este texto não contém spoilers ou detalhes sobre a narrativa de Inside, pois quero que cada jogador tenhauma experiência singular quando para na frente da TV e decidir encarar os desafios que enfrentei. Então, para mim, hoje, como alguém que joga videogame há mais de 20 anos, é gratificante ver um jogo como Inside ganhar notoriedade em um mercado tão saturado de Call of Duties e outros títulos que seguem uma fórmula completamente batida.

Mais uma vez, palmas para a Playdead que soube contar uma excelente história, que não tem exatamente um fim definido, mas que sabe como nos prender até descobrir onde vamos chegar. Faça esse favor para você: Jogue Inside.

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