Review: Sword Art Online: Hollow Realization

Ainda que seja uma experiência de nicho, podemos dizer que muitos jogadores atuais já tiveram sua primeira experiência com algum MMORPG como Ragnarök Online ou World of Warcraft. Por isso, quando Sword Art Online foi lançado, na hora formou-se uma grande legião de fãs e era só uma questão de tempo até que jogos baseados na série fossem lançados. Avançando um pouco no futuro, Sword Art Online: Hollow Realization é o terceiro jogo da franquia, e embora seja o melhor até o momento, ainda necessita de algumas atualizações. Ainda assim, é um prato cheio para os fãs da série!

Em SAO, os jogadores estão presos em um MMO de realidade virtual, mas com uma pegada diferente; permadeath na vida, isto é, caso o personagem do jogador morra, a pessoa morre também. Hollow Realization se passa logo após as temporadas 1 e 2 do anime, em que o herói Kirito e seus amigos decidem participar do beta de Sword Art Online: Origins. O meu questionamento começa aqui, se este jogo é tão perigoso que pode matar a pessoa num simples descuido do personagem, por que eles acharam que seria uma boa ideia voltar ao game?

Um dos aspectos do anime/mangá mais interessante é justamente esse perigo constante de perder a vida, tornando cada passo decisivo e estratégico. Em Origins, esse ponto existe mas é deixado de lado em quase todos os momentos, focando nos personagens não jogáveis desse mundo. Quando um NPC é morto em Origins, eles desaparecem para sempre e são substituído por outro. Kirito e seus amigos decidem, então, proteger o maior número de NPCs que podem. Com um enredo forte e cativante nos mangás e anime, fica a pergunta, por que os desenvolvedores escolheram algo tão fraco para Hollow Realization? O enredo, que deveria ser o grande destaque, acaba arrastando a nota do título para baixo, apresentando uma história lenta e entediante que demora muito pra se desenvolver, fazendo com que o jogador perca o interesse ou simplesmente esqueça o motivo de estar fazendo tudo isso.

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Além disso, há uma quantidade excessiva de texto, com muitas conversas inúteis e cansativas. Seja um diálogo importante ou apenas uma quest para ajudar um de seus amigos, há sempre uma enorme muralha de texto. Eu não costumo reclamar de quantidade de texto, mas depois de ter que acompanhar um diálogo no qual os persoangens discutiam o que gostariam de comer, sério, eu desisti. Sinto que li mais enquanto jogava do que nos livros das crônicas de Gelo e Fogo.

Até mesmo as missões, que podemos argumentar ser o núcleo de um bom MMO, são tratadas de formas ruins em Hollow Realizations. As quests dadas por personagens amigos quase sempre são animações enormes com ainda mais texto para ler. Já as sidequests acabam se resumindo entre ir do ponto A ao ponto B para coletar um determinado item ou matar uma quantidade X de inimigos. Você deve imaginar que as recompensas compensam esse trabalho todo né? Pois bem, em quase todos os casos; não.

Não se preocupe que nem tudo são problemas, pois se tem algo que Hollow Realization faz com sucesso é criar uma atmosfera que lembra muito um MMO, mesmo sendo um JRPG single player. Da interface até a quantidade de “jogadores” que habitam os mais diversos mapas, todos os detalhes criam um ambiente incrível e vivo. MMORPG são famosos por atividades que exijam um grinding e farming constante e aqui não é diferente. Há diversas quests que exigem eliminar um certo monstro específico, coletar tipos diferentes de plantas, fazer upgrade nos equipamentos e até dar cabo em chefões. Por isso conhecimento prévio MMORPGs acabam funcionando por aqui. Quando eu jogava Ragnarök Online, por exemplo, nunca comprava equipamentos e armas pois os drops dos monstros quase sempre eram melhores, reservando o dinheiro para poções e itens consumíveis. Para a minha surpresa, este mesmo conceito se mostrou extremamente útil em SAO.

Mas se tem algo que Hollow Realization faz com muito sucesso, com certeza é o combate. O sistema de batalha evoluiu muito se comparado aos dois últimos títulos, tornando a experiência mais fácil, direta e única, facilitando a entrada de novos jogadores ao mesmo tempo em que veteranos se sairão muito melhor. Com uma barra de habilidades simplificada, o jogo passa a ter um foco maior na ação e pancadaria.

Além disso, um dos grandes destaques das lutas está no comando da sua equipe. Através de combinações de botões, você pode dar diversas ordens ao time, que variam desde recuar, usar habilidades ou até mesmo rushar pra cima dos inimigos. O jogo até incentiva que você elogie seus parceiros com estes comandos, fazendo com seus companheiros de equipe o respeitem mais e use habilidades especiais em certas ocasiões. Mesmo sendo um MMO em um jogo single player, Hollow Realization consegue simular diversos aspectos deste gênero com muito sucesso e isso é incrível!

Em geral, Sword Art: Hollow Realization é um dos melhores jogos da franquia até o momento, com boas mecânicas, combate sólido e um enorme mundo para explorar, rico em conteúdo. Porém, esse conteúdo faz jus ao nome Hollow, por ser extremamente vazio e entediante. O jogo consegue simular muito bem o ambiente de MMO mas peca no quesito inovação. Fãs hardcore vão curtir por ser mais uma experiência ao lado de seus heróis, mas quem procura apenas um JRPG novo para passar o tempo, recomendo passar longe ou aguardar uma promoção.
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