Review: ReCore

ReCore Horizontal Key Art
ReCore Horizontal Key Art

Certamente quando eu falo um nome de peso na indústria de jogos, alguns indivíduos vêm a cabeça; mestres da criação de artes, conceitos e gêneros como Shigeru Miyamoto (Super Mario Bros), Yoshio Sakamoto (Super Metroid) e Keiji Inafume (MegaMan). Todos esses nomes, sem dúvidas, carregam uma responsabilidade e um critério de qualidade gigantesco por serem praticamente fundadores de memórias incríveis durante a infância e juventude de muitos jogadores. Justamente por isso que, quando anunciado na E3 de 2015, durante a apresentação da Microsoft, ReCore chamou tanto a atenção do público. Nada mais, nada menos que três nomes poderosos estavam envolvidos na criação e desenvolvimento do jogo. Keiji Inafume (MegaMan) como produtor, Joseph Staten como escritor (Halo) e Mark Pacini como diretor (Metroid Prime). Então, o que poderia dar errado?

ReCore começa com o despertar de Joule Adams em um planeta chamado Éden Distante (Far Eden). A protagonista é uma colonizadora mandada para esse planeta com a finalidade de tornar o ambiente habitável para seres humanos, uma vez que a Terra fora devastada por uma doença. Após acordar da longa hibernação de 200 anos em Éden Distante, Joule descobre que algo de errado aconteceu com as máquinas que foram enviadas da Terra para lá. Supostamente, durante esses 200 anos, as máquinas – chamadas de Corebots – seriam responsáveis por terraplanar a superfície do planeta e deixa-lo habitável para seres humanos, porém isso nunca ocorreu. Os Corebots foram corrompidos por uma força desconhecida e se tornaram maus. Agora Joule, com a ajuda de seu fiel Corebot/Cachorro Mack, tem a missão de impedir a proliferação dessa corrupção para que a humanidade possa um novo lar.
A história do jogo é simples e as vezes a narrativa se perde pois os acontecimentos são expostos através de audiologs espalhados pelo mapa. Poucos pontos do plot são verdadeiramente explicados por cutscenes e coisas do gênero.

ReCore é um jogo que possui pitadas de vários gêneros de gameplay. Temos um pouco de RPG, aventura, ação e muito, mas muito plataforma/puzzle. E é exatamente nesse ponto que o jogo brilha com um Sol. O design de criação das plataformas, os pulos calculados milimetricamente, os dashs no tempo certo, tudo contribui para fazer desse game um dos melhores jogos de Plataforma da geração. Infelizmente não é só de jogabilidade que um jogo vive, porque se fosse, certamente teria uma nota de avaliação altíssima. Eu mesmo poderia passar horas descrevendo como o design dos cenários foram me envolvendo, me dando vontade de explorar cada salto, cada beco, cada baú secreto, mas ao mesmo tempo, algumas escolhas da desenvolvedora deixaram a desejar.

A trilha sonora do ReCore é uma mistura de instrumental calmo com alguns lampejos épicos. Épicos quando o jogo chega a momentos frenéticos, com vários inimigos na tela e coisas explodindo para todos os lados. Porém, certos momentos são tão calmos no jogo que simplesmente não existe música, apenas o som ambiente dos ventos batendo nas camadas de areia e o latido alegre e robótico do Mack, seu companheiro para todas as horas. Certamente foram escolhas interessantes para o áudio do título e nisso ReCore se saiu muito bem.
Gráficamente o jogo não impressiona mas também não decepciona. Vários efeitos de luz dão vida aos ambientes abertos e fechados, assim como efeitos de partículas e outros pequenos filtros de imagem. Os dois maiores problemas dos gráficos são a renderização de sombras e as texturas do jogo. Esses são simplesmente feios e rústicos demais pra geração atual de consoles.

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Mas o que exatamente ReCore fez de errado?

Essa é a pergunta chave, certo? Pois bem. Vamos deixar claro uma coisa antes, ReCore é um jogo belíssimo em vários aspectos e possui uma identidade muito bem definida.
Porém nem tudo são flores. Ao chegar a metade do jogo, mais ou menos 8 horas contínuas, o game impõe uma barreira de progressão. Um limite na velocidade do jogador, fazendo com que ele fique frustrado e perdido pelo vasto mundo arenoso.
ReCore força o jogador a completar uma série de sidequests repetitivas, chatas e sem qualquer significado pra história para poder finalmente encerrar o título. Quando o jogador chega a essa barreira, toda a fluidez do jogo é posta a prova e dificilmente é superada. A linha temporal da lore passa a não fazer sentido, pois todo o sentimento de urgência do jogo é parado para que o jogador explore mais o cenário. Isso é uma escolha da desenvolvedora para fazer com que o jogo se estenda muito mais do que pode, muito além do que deve. E foi aí que ReCore passou de um título belíssimo para “ah… isso de novo não.”
O jogo desce uma barreira vertical de 90 graus em uma velocidade incrível. ReCore não soube quando parar.

6/10

ReCore é um jogo que começa okay, evolui para “OH MEU DEUS” e de repente fica ruim. A desenvolvedora tinha nas mãos uma obra de arte que poderia ficar na memória de muitos jogadores por muito tempo, mas por escolhas erradas transformou o título em apenas mais um jogo de final de semana.

PS: Se você comprar esse jogo, guarde em seu coração o número 45.

Texto por: Dante
Editado por: Equipe Kyzuka

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