Review: Deus Ex – Mankind Divided

Quando eu abri o jogo, imaginei que seria interessante gravar meu gameplay e subir no youtube, mas em apenas 20 minutos eu já havia entendido que este seria o pior jogo para fazer isso. Ao incorporar o agente Adam Jensen, eu assumo um papel de espião metódico, com a certeza de que não serei pego. Estou sempre caminhando abaixado, incapacitando (e escondendo os corpos) de todos que possam prejudicar meu objetivo, civil ou não. Salvo duas ocasiões específicas, eu passei o game inteiro avançando cautelosamente, coletando todo o loot do mapa, explorando todas as possibilidades e claro, invisível. Se eu falar que eu já gastei duas horas em um único local, você acreditaria? Pois bem, como ninguém sentiria prazer em assistir eu abortei a ideia, mas isso não significa que eu “joguei errado”, pelo contrário, Mankind Divided respeita o estilo de cada jogador e o recompensa de acordo com suas ações.

Em todos os obstáculos que o jogo impõe, há sempre mais de uma solução assumindo que você tenha as habilidades ou ferramentas necessárias para tal. Em um cenário de combate direto, por exemplo, a escolha começa em optar por passar despercebido ou utilizar força bruta. Caso o último seja escolhido, o jogo lhe dá um grande leque de opções para invadir e ser o maior badass de todos os tempos. Pistolas, escopetas, rifles, minas explosivas, granadas e muitas outras opções, todas diferentes munições para alvos comuns, eletrônicos ou blindados. Há também aprimoramentos que lhe dão velocidade, mais armadura ou até tempo de concentração, criando breves momentos de slowmotion. Entrar em uma sala com um rifle e girar lentamente, distribuindo headshots antes que os guardas possam reagir, é uma sensação incrível!

Paralelamente é possível avançar (e até completar o jogo) sem matar ninguém. Embora a ideia possa soar extravagante e até uma frase de marketing, eu vi com meus próprios olhos, é possível. Além das opções armadas (tazer, tranquilizantes, gás não-letais, etc), há diversos aprimoramentos cujo foco está fora do combate. Desde o aprimoramento social, permitindo que o jogador explore novas opções de diálogo, visão raio-x para identificar novos itens ou caminhos e até a opção de hackear dispositivos como câmeras, torretas ou drones a distância no maior estilo Mestre Jedi! Use the Force, Jensen! 

jediadam

Embora Mankind Divided permita que o jogador escolha como se aproximar, há um tímido incentivo para jogar como stealth. Com todos esses artifícios citados, basta ter uma estratégia em mente e ser um pouco criativo para passar despercebido em qualquer situação. Uma coisa que fiz muito foi sempre procurar algo que pode ser movido, como caixas ou latas, para arremessar contra a parede, gerando barulho e fazendo o guarda investigar, longe de seus companheiros. Em seguida desço-lhe a porrada, escondo o corpo e repito o processo até que o mapa fique completamente vazio para explorar e coletar itens. Independente do caminho escolhido, o game irá recompensar o jogador com um enorme sentimento de satisfação, seja por sair do castelo da mafia pela porta da frente, por cima de dezenas de cadáveres ou sorrateiramente, sabendo que cinquenta pessoas estavam no local e ninguém o viu.

Em um determinado momento, enquanto caminhava pelas ruas, ouvi um NPC falar “poder ao povo” e nunca tive tanta certeza disso, mas no caso, poder ao jogador para que possa aproveitar o game no seu ritmo, no seu estilo, no seu tempo. Antes de terminar a primeira missão do jogo, eu já estava explorando todos os locais, hackeando tudo que fosse possível e claro, fazendo todas as missões opcionais. Ao final disso tudo, eu já havia invadido diversos lugares que seriam palco para outras quests no futuro, possivelmente estragando a minha imersão né? Errado, o jogo havia previsto uma situação como essa e simplesmente adaptou o ambiente, os personagens envolvidos, as falas, tudo. A forma como a quest se iniciou pra mim, pode ser diferente de como será iniciado pra você justamente porquê eu explorei mais.

Uma coisa que havia me deixado com o pé atrás inicialmente, era em como os desenvolvedores fariam para transformar Adam Jensen, um personagem “fodão” em algo com espaço para desenvolvimento. Com alivio eu digo; MD matou no peito. Agora na Interpol, Adam parte para uma missão em Dubai que acaba com um final inesperado, resultando em alguns danificados em seu sistema de aprimoramentos. Isso faz com que o jogador tenha que escolher apenas alguns para recomeçar. Além disso, caso queira ter acesso aos aprimoramentos especiais (hack a distância, super velocidade, disparar lâminas, etc), é necessário desativar outro aprimoramento para evitar o superaquecimento do sistema danificado. Mais do que apenas deixar um personagem mais forte, o jogo apenas “resetou” o protagonista, fazendo que o jogador se adapte com as habilidades que tem ao mesmo tempo que cria um sistema de progressão.

MD cria um ambiente muito fácil de ser absorvido, fazendo o jogador perder a noção do tempo de tanto se sentir envolvido no universo do game. A cidade, Praga (capital da República Tcheca), é muito bem reproduzida no jogo. Suas ruas são sempre cheias de vida, com personagens indo e vindo, mas todos sempre pensando em suas próprias opiniões. Embora a inteligência artificial não seja o pico do jogo, podendo ser facilmente enganada ao ponto do ridículo, é engraçado saber que eles tentam resolver as coisas de acordo com o que veem, e não com o que são programados. Em um determinado momento, por exemplo, eu tentei roubar o cofre de um lojista na frente dele (jênio), fazendo-o sacar a arma e atirar em mim. Para minha surpresa, a policia que fazia a patrulha viu apenas a segunda parte e entrou em confronto com o NPC para me proteger.

Com tanto a se fazer no jogo, você imaginaria que os desenvolvedores disponibilizaria apenas isso de conteúdo né? Pois bem, há também; uma nova dificuldade para aqueles que terminaram no Hard (e eu recomendo fortemente começar no Hard, ainda mais se você for jogar em um estilo furtivo); New Game Plus, permitindo que Adam mantenha seus aprimoramentos antigos, para gastar skill points com outras opções; Crônicas do Jensen, uma missão extra que conta um pouco dos acontecimentos após o game (então só joguem depois de zerar); Modo Breach, diversas missões de Hackeamento em um ambiente virtual com leaderboard para competir com outros jogadores e um recap de 10 minutos para aqueles que não jogaram Human Revolution mas querem entender mais a história e saber no que estão se enfiando.

Aparentemente eu achei que seria uma boa ideia usar minha foto e apelido ao tentar ser um Hacker famoso (Breach Mode)
Aparentemente eu achei que seria uma boa ideia usar minha foto e apelido ao tentar ser um Hacker famoso (Breach Mode)

Vale a pena jogar?

Com certeza! Sendo um gamer viciado, jogando quase todos os lançamentos do ano, eu acho que posso dizer que Deus Ex: Mankind Divided é um sucesso! Com uma história envolvente, gráficos estupidamente lindos (minha GTX 660 chorou para ficar no médio) e uma jogabilidade incrível, este jogo é de longe o que mais me divertiu em 2016! Recomendo muito! 🙂

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