Review: Song of the Deep

Song of the Deep é o mais novo título da Insomniac, a mesma desenvolvedora por trás de jogos como Ratchet & Clank de PS4 e Sunset Overdrive de XOne, e traz um estilo muito diferente do que estavam acostumados. Optando por um enredo de fantasia, um estilo de arte único, gameplay em 2D e um narrador que comenta todos os passos dado pelo jogador, o game mais parece um livro de conto de fadas do que qualquer coisa. Com anos de experiência e um portfólio de sucesso, será que o estúdio conseguiu alcançar seu objetivo?

O jogo conta a história de Merryn, uma garota que parte em uma aventura marítima em busca de seu pais desaparecido. Armada de muita coragem e algumas histórias que seu pai costumava contar sobre o oceano, a protagonista descobre aos poucos que os contos não eram apenas historinhas de ninar, e sim, relatos fiéis dos mistérios do fundo do oceano. Ela então precisará de muitos recursos e habilidades para descobrir o mistério por trás do sumiço de seu pai.

Logo de cara vou dizer que a Insomniac conseguiu um resultado muito bom, com uma pegada muito similar à Ubisoft em Child of Light. Através de uma direção de arte impecável e personagens carismáticos, é muito fácil se sentir dentro do jogo, empolgado com o que irá acontecer e preocupado com o destino da protagonista. As animações, coloridas e fluídas, reforçam o conceito de transformar o jogo em uma narrativa animada, mostrando que histórias podem virar realidade, sem perder qualidade e encantamento.

Esses conceitos acabam se tornando o pilar de sustentação, mas Song of the Deep traz outros elementos na manga que, embora se encaixem na proposta, não traz o resultado esperado. O jogo traz o conceito do Metroidvania, através de um grande mapa interligado mas com limitações e barreiras, obrigando o jogador a buscar soluções – seja em puzzles ou ferramentas – para poder prosseguir na aventura. Isso seria um grande diferencial se não aparentasse que foi inserido apenas para prolongar o curto tempo de jogo. Com aproximadamente sete horas de duração, ter que retornar ao começo do jogo apenas para abrir uma nova porta, coletar um item X e poder continuar, soa como uma mecânica barata para estender a aventura.

O controle da personagem pode ser dividido em duas categorias; dentro e fora de combate. Quando Merryn está resolvendo puzzles, desviando de projéteis inimigos e coletando itens, não há o que reclamar. Através de mecânicas polidas, gatilhos e timings, os enigmas que o jogo impõe são bem inteligentes e divertidos de fazer. Há até momentos em que Merryn precisa sair da segurança de seu submarino para solucionar obstáculos, adicionando um elemento extra à jogabilidade.

Já quando o foco é o combate, o jogo mostra um lado mais negativo, com controles duros e difíceis de controlar. Se você está pensando que é só mudar as teclas, saiba que o game não permite uma personalização dos botões, obrigando o jogador a “se virar com o que tem”. Com o avançar da história, surgem inimigos mais resistentes e que podem te matar com uma ou duas pancadas, fazendo com que as batalhas se tornem enjoativas e frustrantes.

Enquanto não é possível customizar os controles, o mesmo não pode ser dito sobre o submarino. Através de moedas que estão espalhadas por todo o oceano, o jogador pode trocar por peças que podem ser aplicadas ao veículos, tornando-o mais resistente e com novas habilidades.

Vale a pena jogar?

Com certeza. Embora o combate não seja um dos melhores e o jogo seja relativamente curto, é impossível não se apaixonar pela personagem e toda direção de arte do jogo. Não apenas isso, toda a dublagem, trilha sonora, enredo, enfim, todos os outros elementos compensam as falhas, criando um título memorável, intrigante e bastante divertido.

Song of the Deep já está disponível para compra nas plataformas PC, PS4 e Xbox One, com interface e legendas em português.

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