Review: Uncharted 4

Em 1985 os videogames, que eram antes utilizados para testar seus reflexos e concentração em grandes máquinas de arcade, passaram a habitar nossos lares e com isso criou-se a necessidade de ir além de apenas tirinhos cruzando a tela e pontos sendo somados. Passou-se a ter a necessidade de um enredo ligado aos pixels coloridos na tela. Esses pequenos pontos RGB passaram a ter nomes e o mais importante, um sentido para viver.

Pois é, muito tempo se passou e esse conceito foi evoluindo exponencialmente com os anos. Os jogos ficaram mais densos, com toda uma história envolvente e narrativas muito bem escritas. Lógico que para toda regra há uma exceção. Temos títulos que falham completamente em prender o jogador à sua lore. Felizmente não é sobre falhas que vou falar hoje. Não, pelo contrário, vou falar sobre uma empresa que não cansa em fazer jogos extraordinários. A querida por muitos; NaughtyDog.

Em 2007 a empresa até então conhecida por praticamente criar o mascote da Sony, o Crash Bandicoot, decidiu dar um passo a frente e moldar uma nova narrativa dentro dos jogos eletrônicos. Uma mistura de ação, aventura e um pouco de humor. Com esses ingredientes e um elenco pesado de redatores, atores e desenvolvedores, eles conseguiram criar o que pra mim foi a primeira Master Piece de uma série de Master Pieces; Uncharted.

Uncharted 4 não apenas surpreende em seu enredo, mas também na tecnologia gráfica.

É difícil descrever Uncharted com palavras então vou tentar fazer vocês imaginarem. Lembra quando vocês viram Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida pela primeira vez? Aquele professor de arqueologia maluco que na verdade era um grande aventureiro? E de como ele te conduziu por florestas com nativos indígenas atirando flechas e dardos para todos os lados? Lembra-se da emoção que foi quando o protagonista finalmente acha a Arca e, de longe escondido atrás de uma pedra, visualiza os vilões abrindo o artefato para logo após serem mortos porque não eram dignos? Toda essa emoção do desconhecido, do inexplorado, todas as risadas que o Mr. Jones nos fez soltar quando algo cômico acontecia. Pois bem, agora pega toda essa nostalgia e esse sorriso que você acabou de formar no rosto e adiciona um controle de videogame. Pronto, você tem Uncharted!

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Mas então quer dizer que Uncharted é uma cópia de Indiana Jones? Conceitualmente sim, mas vai muito além disso.

A série Uncharted captura o jogador com seu protagonista, Nathan Drake, um sarcástico arqueólogo/historiador/freelancer/aventureiro que nem sempre trabalha no âmbito da legalidade. Pelo contrário, boa parte das expedições feitas por ele são ilegais, coordenadas por ladrões buscando fortuna e glória. Drake, por outro lado busca algo a mais que apenas esse dois fatores. Busca desvendar mistérios que foram deixados de lado por serem impossíveis de se concluir, busca descobrir o passado de seus ancestrais, como por exemplo, os pertences de Sir Francis Drake, um explorador que “achou” a localização para El Dorado. Nathan é um personagem rico em características e personalidade.
No entanto, não é só do protagonista que a série vive. Outras personagens são inseridas no contexto do jogo ao decorrer de 4 títulos e é interessante ver como cada um tem uma característica e personalidade diferente. Uncharted é extremamente rico nesse ponto, desde a introdução até o ponto final, cada pessoa que o jogador encontra tem uma história pra contar.

Uncharted 4

Fugindo à regra dos jogos anteriores, Uncharted 4 começa com Nathan Drake, agora aposentado da vida de ladrão de artefatos antigos, cuidando de escavações e buscas dentro do mar. Vivendo uma vida pacata, Drake se vê preso à uma rotina de bater o ponto no trabalho, voltar para casa, jantar com a esposa e dormir. Para quem já explorou a Cidade Perdida de Shambala e bebeu da Fonte da Vida em Ubar, isso lhe parece bastante entediante. Eis que surge um fantasma do passado propondo uma nova aventura e a chance de encontrar o tesouro perdido do Rei dos Piratas, Henry Avery. Nathan a principio recusa, sabendo que seus tempos de aventureiro já tinham acabado, mas o que ele não sabe é que a vida de um ente querido depende do resultado dessa expedição.

Tudo a partir desse momento da história pode ser considerado spoilers, então vou deixar você, leitor, buscar na internet ou jogar o jogo para descobrir o resultado dessa expedição.

Uncharted 4 não apenas surpreende em seu enredo, mas também na tecnologia gráfica aplicada. Muito além de efeitos já comuns em jogos atuais, nesse quarto titulo, tudo foi feito com atenção aos pequenos detalhes. A geometria, a iluminação global, os efeitos de partículas e principalmente a captura de movimentos corporais e faciais, que são de tirar o fôlego. Cada cena de ação é tão bem conduzida e construída que o jogador é sugado para aquela realidade e, por mais que muitas vezes a física do jogo seja questionável, é tudo tão plausível e crível que a pessoa por trás do controle apenas aceita o que está acontecendo. A jogabilidade, a trilha sonora, tudo foi feito com paixão pelos desenvolvedores.

Uncharted, mais do que nunca, é uma obra de arte que deveria ser apresentada para um público muito além dos videogames. Estudantes de cinema e teatro precisam ter uma cópia desse jogo em suas cabeceiras porque o nível de atuação e direção desse jogo deixa muito filme Hollywoodiano a ver navios.

Mais uma aventura do querido Nathan Drake conclui um ciclo. Não sei dizer se é o último da franquia, mas com certeza já estou com saudades dessa família que a NaughtyDog criou.

9/10

Uncharted 4 cumpre o principal objetivo de um videogame: transportar o jogador para uma realidade diferente da do mundo em que vivemos.

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