Review: Tales of Zestiria

Embora eu não seja um grande conhecedor da série Tales, sempre acompanhei e joguei alguns dos títulos, principalmente Tales of Destiny no PSX. Mesmo não manjando de inglês na época, lembro-me de ter investido muitas horas no jogo apenas grindando em batalhas infinitas, encantado pelas mecânicas de luta side scroll com gráficos de anime. De lá pra cá joguei alguns outros títulos como Symphonia, Vesperia ou Xillia, mas nenhum apresentou algo que me deixasse muito animado. Não que tivessem sido ruins, mas algo (ou a falta de) não me motivou a jogar mais do que algumas horas. E assim, sem muita pretensão, resolvi adquirir o recém lançado Tales of Zestiria (PC, PS3 e PS4) para ver ~qualéquié~ e cara, sério, a minha vida foi sugada! (60 horas e subindo)

Mas afinal, o que exatamente “ToZ” tem de tão foda para fazer com que os meus últimos finais de semana se resumisse ao jogo (feriadão de finados muito bem aproveitado… uhu)? Batalhas full action-packed, repleta de combos e magias devastadoras, além de uma trilha sonora impecável!

O jogo gira em torno de humano Sorey e do seraph Mikleo, que após encontrarem uma jovem em meio a uma ruína, resolvem embarcar em uma jornada para garantir a segurança da mesma. No meio do caminho descobrem que toda a paz, harmonia e tranquilidade do ambiente em que cresceram era limitado à sua vila no alto da montanha. Todos os outros do “mundo debaixo” enfrentam uma profunda crise, com guerras, doenças, pobreza e muita fome. Todos esses problemas alimentam os sentimentos negativos das pessoas, criando uma força “do mal” chamada Malevolence, que aos poucos espalha-se por todo o continente criando monstros. Tendo isso em mente, Sorey acaba tornando-se o Sheperd, um herói lendário capaz de manusear todos os elementos da natureza para acabar com o mal e restaurar a paz.

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Assim como nos títulos anteriores, o jogo utiliza o sistema de batalha LMBS (Linear Motion Battle System) em que o jogador é posicionado em um ambiente 3D, livre para se movimentar e esquivar, mas com target travado dando a impressão de estar lutando em um side-scroll. O combate é o mesmo; através de combinações de direcional + ataque, o personagem realiza ataques especiais chamado “Artes”, podendo fazer combos enormes (e lindos de ver). Além disso, durante as batalhas é possível fazer “fusões” com seus parceiros seraph’s elementais, adquirindo uma nova armadura e uma lista de habilidades diferentes e devastadoras! Quem diria? Eu que sempre aloprei FFX-2 por achar bizarro ficar trocando de roupa durante uma luta, adorei o fato de poder combinar com vários elementos diferentes na mesma battle. Em especial a combinação com o seraph de água Mikleo, no qual permite que o jogador crie um turbilhão de água que dá um p#ta dano e pega praticamente a tela inteira.

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Uma das novidades que Zestiria traz é o local das lutas. Ao invés de transportar o jogador para um ambiente que simula o local, as batalhas acontecem no exato lugar em que o personagem se encontra durante o modo de exploração. Isso faz com que a batalha seja influenciada pelo terreno, permitindo que o jogador (ou os mobs) se escondam atrás de caixas e pedras para não tomar dano direto (mas AoE ainda destrói tudo).

Ainda sobre exploração, Tales of Zestiria traz outra novidade; mundo aberto. Ok, não é tão aberto assim, mas é um bom começo. Ao invés de caminhos extremamente limitados por pedras e arvores, o jogo traz um mundo bem aberto (e repleto de mobs) para você explorar (e se perder) a vontade. Embora isso não seja um elemento ‘gamechanger’, é bem bacana poder explorar enormes planícies ouvindo aquela música calminha. Ah e diga-se de passagem, a trilha sonora está SHOW. Assim como você espera o “drop” na batida enquanto ouve a sua música favorita na balada, em diversos momentos do jogo você vai esperar uma trilha sonora tão épica quanto o momento e o jogo vai lhe entregar isso! PLOW! Mas também pudera, gastar horas em um game com trilha sonora ruim não rola né?

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E falando em “horas”, prepare-se para gastar um bom tempo jogando, o que definitivamente não é ruim. O jogo é repleto de opções de customizações; Cosmetic, é possível inserir até três itens para enfeitar seu personagem, além de mudar o corte de cabelo e a cor da roupa. Fusion, permite fundir dois equipamentos de mesmo nome para criar um novo com atributos aprimorados. Shops e Inns, compre bastante itens e comidas das lojinhas para aumentar o nível do lugar e fazer o NPC vender melhores equipamentos. Artes, escolha quais skills utilizar em meio a uma lista de mais de vinte opções. Somado as inúmeras sidequests, dungeons secretas, chefes opcionais, New Game+ (haja vontade) e DLCs, eu lhe garanto no mínimo 60 horas de diversão.

Tales of Zestiria é uma boa opção para quem curte JRPG. Os diálogos são bem humorados, as cinematics de anime em momentos chave proporcionam uma  sensação de fazer parte do universo criado e a trilha sonora te dá o empurrãozinho para você achar que pode enfrentar qualquer inimigo. O enredo é genérico, clichê e repleto de pontas soltas. Fala-se muito, por exemplo, de um dos cinco lordes que protegem o continente. E os outros quatro? Ninguém sabe. Ou o fato de <SPOILER ALERT> um seraph se sacrificar para salvar uma amiga, usando a si mesmo como munição, enquanto próximo ao fim do jogo, você faz o mesmo com outros vários e ninguém morre</SPOILER ALERT>. Outro ponto negativo é a câmera, que em muitos momentos parecia ter vida própria, obstinada a foder com a sua estratégia de todas as formas possíveis. Principalmente em lugares apertados como corredores ou cavernas. Oh fuck, as cavernas…

Enfim, o jogo cumpre sua função de divertir. Suas falhas quebram um pouco da imersão mas nada muito grave. Se você está afim de um RPG, que mais parece um anime interativo, com batalhas épicas e uma trilha sonora linda, fica a recomendação. E se esse texto não foi o suficiente para lhe convencer do quão maneiro é este jogo (imparcialidade, é nois), segue o vídeo de abertura. 🙂

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