Rogue Legacy: Quantas gerações são necessárias para conquistar um castelo?

Final Score

7 Gráficos
8 Trilha Sonora
9 Controle
6 História
9 Replayability
7.8

Falar da minha admiração por Rogue Legacy pode ser complicado, mas acho que consigo traduzir o meu sentimento por meio de uma expressão bastante comum: o amor bandido. O amor bandido é aquele que você sofre, mas não larga. Aquele que te bate na cara, te chama de otário, manda você ir embora e ainda assim não sai do coração. Vou explicar.

Jogo videogames desde mil novecentos e sou o Power Ranger Vermelho e, infelizmente, não é sempre que tenho a oportunidade de acompanhar as novidades da geração atual de joguinhos, por isso tenho uma proximidade e carinho maior com jogos independentes. Na verdade, o que ganha a minha atenção são dois fatores vitais para quem viveu a Era de Ouro do Sonic Porco Espinho Azul e ou Super Mario: a qualidade visual cartunesca e 2D que, além de ser nostálgica, funciona em qualquer computador  e a dificuldade que não beira o impossível, porém não entrega o final do jogo em menos de quatro horas. Inclusive, foi exatamente nesse ponto que Rogue Legacy ganhou meu coração e se transformou no amor bandido da introdução desse texto.

Um dos grandes desafios dos jogos atuais, inclusive, é atingir o ponto exato da diversão, onde dificuldade e recompensa estão sob o mesmo peso na balança (ó, ficou bonito!) e Rogue Legacy entrega isso primorosamente entre um tapa e um carinho.

A história começa com uma maldição que é transferida de geração para geração e cabe a você, nosso herói, colocar um fim nisso tudo. Como? Você entra no castelo, enfrenta muitos, mas muitos monstros, derrota os chefes grotescos e gigantes e parte para a batalha final. Yay! Só que não. Primeiro: o seu personagem não está preparado para enfrentar todos os monstros que estão no castelo, ele precisa subir de nível e principalmente juntar muitas, muitas moedas de ouro para comprar novas habilidades. Parece clichê, não é? Sim parece, mas você não vai sobreviver os primeiros vinte minutos de gameplay e é nesse momento que Rogue Legacy começa.

A cada morte surgem novas gerações de personagens com peculiaridades diferentes que os tornam únicos: alguns são calvos, outros são homossexuais, daltônicos, uns não enxergam em 3D (WTF?) e outros, pasmem, tem medo de galinhas (o único e raro alimento do jogo que recura seus pontos de vida), são apenas exemplos, existem milhares de vantagens e desvantagens em cada novo herói. Cabe a você sacrificar mais e mais gerações para explorar o castelo e recolher o máximo de ouro que conseguir para comprar novas classes, raças e power ups que fazem o jogador e o jogo evoluírem. Não é apenas perder uma vida e fazer o mesmo caminho novamente.

Essa mecânica se aplica especialmente no castelo que muda suas salas a cada novo herói e evita que você caia na mesmice do “opa, já passei por aqui”. É como estar pela primeira vez em um lugar que você já conhece (?????). Será que eu posso chamar isso de deja vu? Enfim…

Enquanto Dark Souls cospe na sua cara “prepare-se para morrer”, eu diria que Rogue Legacy está sentado na poltrona da sala, apenas com a luz do baixa do abajur iluminando o local e sussurrando com um sádico sorriso no rosto “eu sabia que você ia voltar”. Porque sim, você vai voltar.

Outro detalhe prazeroso durante o gameplay de Rogue Legacy são as incontáveis referências que estão espalhadas por todo o jogo. Como eu prefiro que você tenha a mesma surpresa que eu tive, vou contar apenas as que eu mais gosto: o grito “Fah Ro Dus” de um famoso e lendário descendente mais próximo dos dragões. A outra referência é um NPC que está escondido no castelo e se parece muito com o protagonista mais sem sal e sem expressão da Fantasia Final Sete que fez muito sucesso ao redor do mundo (blergh!). <3 <3 <3

Abra sua carteira e seu coração e vá agora comprar Rogue Legacy, pois de acordo com a minha conta no Steam, foram trinta e fucking cinco horas de diversão, nostalgia, raiva, risadas e alguns palavrões. Só não vale arremessar o controle na parede.

Texto escrito por Guilherme de Oliveira.

Written By
More from Guilherme Pupo

Review: Inside

Abra seus olhos. Comece a correr. Continue correndo. Salte aquele tronco e...
Read More

1 Comment

Comments are closed.